O STJ (Superior Tribunal de Justiça) autorizou que o vereador de Terenos, Arnaldo Glaglau (PSD), reassumisse o mandato. Ele estava afastado desde novembro de 2025 por conta do escândalo de corrupção que chegou a prender o parlamentar e o prefeito Henrique Budke (PSDB).
A defesa de Glaglau foi à corte após Budke conseguir voltar à prefeitura, e pediu a extensão da medida. Assim como o tucano, o vereador pode retomar as atividades, mas ainda vai continuar usando tornozeleira eletrônica.
“Demonstrado que o requerente [Arnaldo Glaglau] se encontra afastado do mandato eletivo por prazo semelhante ao do afastamento do corréu [Henrique Budke], impõe-se a pretendida extensão dos efeitos da decisão proferida neste feito, para que a medida cautelar seja revogada, permitindo a retomada do exercício da função pública para a qual eleito o requerente, ainda que sujeitas às restrições adequadas ao caso”, sentenciou o ministro Ribeiro Dantas.
Com isso, Glaglau pode estar presente já na próxima sessão da Câmara Municipal, na próxima segunda-feira (6).
Gaeco desmonta esquema de corrupção liderado por prefeito de Terenos
Em 9 de setembro de 2025, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) deflagraram a Operação Spotless contra um esquema de corrupção na Prefeitura de Terenos.
Foram expedidos 16 mandados de prisão e 59 mandados de busca e apreensão em Terenos, Campo Grande e Santa Fé do Sul (SP). O prefeito Henrique Budke (PSDB) é apontado como líder da organização criminosa.
A investigação apontou que o grupo liderado por Budke tinha núcleos com atuação bem definida. Servidores públicos fraudaram disputas em licitações, a fim de direcionar o resultado para favorecer empresas.
Os editais foram elaborados sob medida e simulavam competição legítima. Somente no último ano, as fraudes ultrapassaram os R$ 15 milhões.
O esquema ainda pagava propina para agentes públicos, que atestavam falsamente o recebimento de produtos e serviços e aceleravam os processos internos para pagamentos de contratos.
A Operação Spotless foi deflagrada a partir das provas da Operação Velatus, realizada em agosto de 2024. O Gaeco e Gecoc obtiveram autorização da Justiça e confirmaram que Henrique Budke chefiava o esquema de corrupção.
Spotless é uma referência à necessidade dos processos de contratação da administração pública serem realizados sem manchas ou máculas. A operação contou com apoio operacional da PMMS (Polícia Militar de MS), por meio do BPChoque (Batalhão de Choque) e do Bope (Batalhão de Operações Especiais).
Budke foi solto ainda em setembro de 2025 após obter habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça). O afastamento dele, que era voluntário, foi referendado pelo Judiciário.
Prefeito e mais 25 são denunciados à Justiça
O MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) denunciou o prefeito de Terenos, Henrique Budke (PSDB), e mais 25 pessoas envolvidas no suposto esquema de corrupção na prefeitura.
Licitações de obras públicas eram direcionadas, e empresas se revezavam nos serviços, garantindo que o grupo se beneficiasse do esquema, que incluía pagamento de propina ao prefeito e a outros citados.
“O que se apurou na investigação é uma organização criminosa instalada no Poder Executivo do Município de Terenos, atuando há anos para fraudar licitações e saquear os cofres públicos, um verdadeiro balcão de negócios comandado pelo prefeito municipal [Henrique Budke]”, pontuou o procurador-geral de Justiça Romão Ávila Milhan Júnior. A denúncia foi aceita pela Justiça um mês depois.
Em junho de 2026, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) autorizou que o prefeito reassumisse o cargo, mas o ministro Ribeiro Dantas manteve as medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, e proibiu o político de manter contato com investigados e de movimentar contratos alvos da ação.
Fonte: Jornal Midiamax