Com histórico de comida vencida e idosos debilitados, o Asilo de Bela Vista é alvo de inquérito aberto pela Promotoria de Justiça da Comarca de Bela Vista. A instituição será investigada por danos aos idosos e uso de recursos recebidos.
O edital de abertura do inquérito consta no Diário Oficial do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) desta sexta-feira (8). Ao longo do último mês, a Reportagem publicou série de reportagens sobre o imbróglio judicial que expõe uma década de abandono no asilo de Bela Vista.
De comida vencida a manga para o jantar, os idosos foram flagrados com feridas, sangue e até buraco no corpo. Vistorias do MPMS ao longo de uma década apontam déficit de funcionários, sendo a mais recente realizada em março de 2026.
Assim, a Promotoria da Comarca abriu o Inquérito Civil nº 06.2026.00000466-1 para apurar eventual responsabilidade da Associação Evangélica de Proteção aos Desamparados de Bela Vista sobre as condições dos idosos.
Conforme a publicação, o Abrigo Bela Vista será investigado por supostos danos causados aos idosos acolhidos na Instituição de Longa Permanência para Idosos.
A promotora de Justiça substituta, Dafne Prado Sabag, assina a abertura de inquérito. O procedimento está em sigilo.
Recursos do Asilo
Além disso, na mesma edição do Diário Oficial, a promotoria formalizou a abertura do Procedimento Administrativo nº 09.2026.00005579-4, para acompanhamento da instituição. Isso porque o MPMS requer informações sobre a prestação de contas dos recursos recebidos pelo asilo.
Então, os recursos administrados pela Instituição de Longa Permanência para Idosos de Bela Vista passam a ser acompanhados pela Promotoria.
Apesar do asilo não ser subordinado à administração municipal, mantém termo de colaboração com a prefeitura no valor global de R$ 265 mil. Os repasses são feitos mensalmente, com o valor de cerca de R$ 22 mil.
A promotora oficiou o presidente da instituição, Anderson Basso. Assim, pediu que ele encaminhe um balancete financeiro do asilo com os ativos e passivos. A Promotoria pediu documento “especificando todos os recursos financeiros recebidos pela entidade desde o início do corrente ano de 2026, de origem pública ou particular, bem como a sua efetiva destinação”.
O prazo para envio é de 20 dias úteis. A Reportagem acionou o presidente, por meio de mensagens devidamente documentadas. Contudo, não houve resposta até a publicação da matéria. O espaço está aberto para esclarecimentos.
Denúncia de décadas
As imagens de idosos atendidos pelo Asilo de Bela Vista, com feridas pelo corpo, chocaram pela realidade crua, na cidade com 21,6 mil moradores, localizada na fronteira com o Paraguai.
A Reportagem teve acesso aos vídeos gravados no local neste ano, que evidenciam a vulnerabilidade assistencial do lar de idosos, que é alvo de ação na Justiça.
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) entrou com uma ação civil pública, em 2020, pedindo a dissolução da Associação Evangélica de Proteção aos Desamparados, responsável pelo gerenciamento do local, também conhecido como Abrigo de Bela Vista, e a transferência da tutela do asilo para a Prefeitura de Bela Vista.
O processo teve origem em uma denúncia feita há dez anos, em 31 de março de 2016, que evoluiu para um procedimento administrativo no mesmo ano e virou uma ação que se desenrola na Justiça de Mato Grosso do Sul há anos. Ao longo do processo, são apontadas falhas sistêmicas de infraestrutura e gestão para a assistência dos idosos, no local que atende, atualmente, cerca de 20 pessoas, com diferentes graus de dependência.
Fonte: Jornal Midiamax



















