Dourados enfrenta uma situação crítica com a epidemia de chikungunya. Somente em 2026, o município já contabilizou cinco mortes e 1.538 casos confirmados da doença, sendo a população indígena a mais afetada até então. No entanto, nas últimas semanas, o cenário mudou, e a alta de casos agora se concentra na área urbana da cidade. Em 24 horas, Dourados confirmou 75 novos casos da doença.
A análise do boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (9) indica que, até a 12ª semana, os registros estavam concentrados entre indígenas. A partir da 13ª semana, porém, houve uma inversão no perfil dos casos, com predominância entre a população não indígena e maior incidência na zona urbana de Dourados.
Curva da epidemia

Nas primeiras semanas do ano (1 a 7), os casos se mantiveram em níveis baixos, com leve predominância entre não indígenas. A partir da 8ª semana, no fim de fevereiro, houve crescimento gradual e mais equilibrado entre os grupos — com 75 casos entre indígenas e 66 entre não indígenas —, o que indica o início da disseminação da doença.
Após esse ápice, os números começaram a cair, mas ainda permanecem elevados. Na 13ª semana, os não indígenas voltaram a liderar, 544 casos contra 336, tendência que se mantém na 14ª semana, com 425 registros entre não indígenas e 194 entre indígenas.
Situação epidemiológica segue crítica
Desde o início do ano, Dourados já registrou 4.387 notificações de chikungunya. Desse total, 1.538 casos foram confirmados, 2.278 seguem em investigação, 3.245 são considerados prováveis e 571 foram descartados.
Além disso, 30 pessoas estão hospitalizadas com suspeita ou confirmação da doença.
Outro dado que preocupa é a taxa de positividade, atualmente em 72%, o que indica que a maioria das pessoas com sintomas testadas tem diagnóstico
confirmado para chikungunya.
Apesar da recente mudança no perfil da transmissão, a população indígena ainda concentra a maior parte dos casos confirmados, com 1.264 registros, ou seja, 82% do total.
Nos territórios indígenas, são 1.780 casos prováveis, 516 em investigação e 246 atendimentos hospitalares. Todas as cinco mortes confirmadas pela doença ocorreram entre indígenas, além de duas das três mortes que ainda estão sob investigação.
Três mortes em investigação e cinco confirmadas

Três mortes continuam em investigação. Entre elas, estão as de uma criança de 12 anos, que apresentou os primeiros sintomas em 28 de fevereiro, e de uma mulher de 55 anos, com início dos sintomas em 1º de abril. Ambas eram indígenas, não tinham comorbidades e morreram na última sexta-feira (3).
O caso mais recente em Dourados foi confirmado na terça-feira (7) — de uma menina de 10 anos, que começou a apresentar sintomas em 28 de março e morreu no mesmo dia.
Conforme a Secretaria Municipal de Saúde, ela estava internada no Hospital Regional de Dourados e também não possuía comorbidades.
Outro óbito suspeito, registrado no último sábado (4), segue em investigação na cidade de Jardim.
Em todo Mato Grosso do Sul já são sete mortes confirmadas, sendo cinco em Dourados. Entre as vítimas de Dourados, estão dois bebês, de três e um mês de idade, e três idosos, de 60, 69 e 73 anos, todos indígenas. Conforme a SES (Secretaria de Estado de Saúde), as outras duas mortes ocorreram nos municípios de Jardim e Bonito.
O que é a chikungunya

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.
Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.
Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.
Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).



















