expedido o alvará de soltura dos militares envolvidos na abordagem que terminou na morte de Wellington dos Santos Vieira, de 27 anos, em Anastácio, a 123 km de Campo Grande. Os militares estão presos desde a última sexta-feira (3) após pedido da Corregedoria-Geral da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul).
O caso ocorreu na madrugada de terça-feira (31). Assim, ganhou repercussão após câmeras de segurança registrarem a abordagem que terminou na morte de Wellington — que estava com mandado de prisão aberto, suspeito de envolvimento na morte de Maria Clair Luzini e Vilson Fernandes Cabral.
Já na tarde desta quarta-feira (8), a Aspra-MS (Associação dos Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul) se manifestou afirmando que o alvará de soltura dos militares já foi expedido.
Segundo apurado pela Reportagem, os militares ainda estão no PME (Presídio Militar Estadual) aguardando o cumprimento do alvará.
A Justiça entendeu que não havia elementos concretos para prorrogar a prisão. “A decisão reconheceu o decurso do prazo legal da prisão temporária e destacou a ausência, até o momento, de elementos concretos que justificassem sua prorrogação“, diz trecho da publicação.
da publicação.
Faca no calção
Apesar de as câmeras terem flagrado Wellington dos Santos Vieira, de 27 anos, correndo, os policiais militares que atuaram na abordagem relatam que ele teria sacado uma faca da cintura.
Conforme o boletim de ocorrência, no momento da abordagem e da voz de parada, Wellington teria sacado uma faca que estava em seu calção e investido contra um integrante da equipe.
Laudo contradiz versão da família
O laudo necroscópico do corpo de Wellington dos Santos Vieira contradiz a versão da família sobre o tiro que o matou durante abordagem da PM (Polícia Militar).
O resultado do exame necroscópico obtido pela Reportagem revela que o rapaz sofreu fratura de base de crânio provocada por disparo de projétil de arma de fogo. O exame descreve “ferida perfurocontusa na região mandibular esquerda”, ou seja, no rosto.
Além disso, o laudo aponta que o projétil seguiu em direção à base do crânio, com trajeto horizontalizado, e está alojado na região carotidiana à direita — o lado direito do pescoço.
Desde o confronto, um familiar de Wellington também acusa os militares de tentarem intimidar a mãe do rapaz, que estava vendo a ação pela janela. “A minha mãe viu o seu filho morrer por covardia dos policiais, não precisava ter atirado. Ele não reagiu, ele apenas correu da polícia”, afirmou o parente.

Defesa nega envolvimento
A defesa de Wellington nega que ele tenha envolvimento no duplo homicídio que antecedeu a sua morte. Representada pelo advogado Walisson dos Reis, ela nega o envolvimento do seu cliente nas mortes.
“Não estava envolvido e não participou. Hoje levamos na delegacia cinco testemunhas para a delegada ouvir e essas testemunhas não reconheceram Wellington como sendo a pessoa que tenha participado. Então não é verdade”, declarou a defesa.
Para defesa da vítima, a ação dos militares se trata de uma execução. Inclusive, o caso será levado para ser investigado no MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
“A gente assiste ao vídeo e entende que foi uma execução praticada por policiais militares em serviço contra uma pessoa já rendida. Nas imagens não vemos ele com arma ou faca, e sim assistimos a uma execução. Graças ao vídeo, temos confirmado que houve, sim, de fato, uma execução. Vamos procurar novamente o Ministério Público para apurar esse fato sobre a alegação de confronto”, pontou.

Fonte: Jornal Midiamax



















