Camillo Gandi Zahran Georges, alvo da Operação Castelo de Cartas, que investiga fraudes financeiras, é cobrado na Justiça de Mato Grosso do Sul por dívidas que somam, em valores atualizados, R$ 6,68 milhões (R$ 6.864.475,05)
O empresário e o irmão dele, Gabriel Gandi Zahran Georges, são acusados de comandar uma quadrilha que lucrou milhões com fraudes bancárias em São Paulo, diz a polícia. Camillo foi alvo de mandado de prisão. Como não estava no endereço, ele é considerado foragido. As vítimas, algumas de São Paulo, sofreram prejuízos milionários ao saberem do golpe.
Em Mato Grosso do Sul, tramitam dois processos contra Camillo que cobram valores pactuados em confissão de dívida. Nesse documento, o credor reconhece que possui um débito e se compromete a quitá-lo conforme as regras e condições estabelecidas. Não há confirmação se as duas pessoas que processam um dos herdeiros da família Zahran seriam vítimas do esquema de fraudes.
Camillo teria assinado documentos em que admitia dívidas com os autores das ações, mas não teria honrado com os pagamentos. As duas pessoas teriam procurado o empresário para tentar resolver o débito de forma amigável, mas, sem sucesso, acabaram processando Camillo.
Um dos contratos de confissão de dívida foi assinado em 26 de fevereiro 2024 e soma atualmente R$ 5,38 milhões (R$ 5.381.300,00), enquanto o outro é de R$ 1,48 milhão (R$ 1.483.175,05) e foi assinado em 4 de dezembro de 2023.
Em um dos processos, a parte autora narra que teria investido todo o capital na instalação de três negócios com Camillo, mas acabou descobrindo, posteriormente, que o valor destinado a montar o comércio foi desviado e nenhuma das empresas teria sido constituída.
A parte autora, que estava grávida na época, estaria endividada, devendo o cartão de crédito, banco e tendo que entregar o imóvel que alugava por não ter renda para pagar o aluguel. Ela estaria sem renda e o marido, desempregado.
O empresário foi citado pela Justiça em apenas uma dessas ações, mas não foi encontrado no endereço informado. O Midiamax não conseguiu o contato da defesa de Camillo, mas o espaço segue aberto para manifestações.
Operação Castelo de Cartas
A quadrilha prometia lucros elevados e um suposto vínculo com um grande grupo do setor de gás e energia chefiado por uma tradicional família sul-mato-grossense. Segundo o delegado Fernando Tedd em coletiva de imprensa, publicada pelo Diário do Rodrigo Lima, os irmãos criaram uma empresa de fachada.
“Eles fazem parte da família que é proprietária de um grupo de empresas no Mato Grosso do Sul. Utilizando dessa falsa credibilidade, eles acabavam enganando as pessoas como se elas estivessem investindo nas empresas do grupo. Eles criaram a empresa de fachada, que simulava essa situação, e foram angariando dinheiro como se as pessoas tivessem realmente investindo nesse grupo empresarial”, explicou.
As vítimas, algumas de São Paulo, sofreram prejuízos milionários ao saberem do golpe. “Quando foram cobrar os dividendos, descobriram que estavam sendo enganados, aí procuraram as delegacias em cada região e fizeram o registro das ocorrências”, revelou o delegado.
Empresa de fachada
Ainda conforme Fernando Tedd, os irmãos não fazem parte da administração de nenhuma empresa da família tradicional sul-mato-grossense. Contudo, simulavam que as empresas de fachada seriam terceirizadas do grupo empresarial da família. Um dos irmãos foi ouvido pela polícia, e o outro está foragido.
“Pelo que conseguimos saber, eles não fazem parte da administração de nenhuma dessas empresas do grupo e acabaram criando essa situação falsa de investimentos para angariar dinheiro. São dois irmãos que administram essa associação criminosa. Um deles está sendo ouvido agora, não tinha mandado de prisão contra ele. O outro irmão tinha mandado de prisão, mas não foi localizado. A partir desse momento, ele é considerado foragido”, detalhou o delegado da Deic.
“Era investimento como se tivesse aplicando dinheiro nessas empresas de fachada, que seriam terceirizadas do grupo empresarial, e seriam investimentos com um retorno financeiro elevado. […] Por enquanto, está sendo apurado estelionato comum e fraude eletrônica”, acrescentou Fernando.
A primeira fase da operação foi deflagrada em condomínios de alto padrão no município de Rio Preto. Lá, um homem foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.
Já a segunda fase, deflagrada nesta quarta (28), cumpriu mandados de busca e apreensão em dois condomínios residenciais no bairro Carandá Bosque, região nobre de Campo Grande. Durante as buscas, foram apreendidas diversas pedras preciosas, uma Rampage, um aparelho celular e um relógio de luxo.
Fonte: Midiamax



















