Equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) estiveram nas ruas de Campo Grande e Camapuã, na manhã desta segunda-feira (10), para cumprir mandado de prisão e quatro de busca e apreensão em investigação contra desvios de R$ 8.066.745,25 de verba para saúde na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).
Conforme nota oficial do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a Operação Occulto visa combater tentativa de obstrução à Justiça por parte de um dos investigados, que tentou se desfazer de patrimônio de R$ 500 mil para evitar bloqueio do bem.
Ainda conforme o MP, o ex-coordenador da Apae, Paulo Henrique Muleta, fez pedido de cidadania italiana, com pretensões de deixar o país.
Assim, foi identificado que pouco mais de R$ 8 milhões repassados pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) para tratamento de pacientes ostomizados (com câncer de intestino) via Apae.
No decorrer das investigações, o Gaeco apurou que os investigados continuaram lavando dinheiro para ocultar os valores ilícitos obtidos por meio das fraudes.
‘Oscurità’: Ex-coordenador já foi alvo de operações
A Apae realizava as compras com dinheiro público, mas o ex-coordenador Paulo Henrique Muleta direcionava os valores para empresas fictícias criadas por ele mesmo. No entanto, as empresas estavam em nome de laranjas.
Foi assim que o ex-coordenador desviou um total apurado de R$ 8.066.745,25, conforme o MPMS. Também conforme divulgado, a Apae colaborou com as investigações, a partir do setor de Compliance.
Após Muleta ser afastado, no âmbito da Operação Turn Off, a instituição registrou redução nos custos das compras de produtos, antes feitas pelo ex-coordenador.
O MPMS denunciou Muleta por corrupção passiva. Essa nova operação foi chamada Oscurità, termo em italiano que significa obscuridade.
Paulo receberia, conforme as mensagens trocadas entre os investigados, 4% das vendas efetuadas pelas empresas para a Apae. O recebimento de propina teria acontecido por ao menos três anos, entre 2019 e 2022.
Em uma das conversas flagradas pela investigação, os empresários teriam enviado um áudio, sugerindo a compra de certos produtos. “A descartável eles não pediram nenhuma, e… cara, você consegue ver isso aí porque, nossa, tô abarrotado de descartável” (sic).
Fonte: Midiamax



















