Ex-número 2 do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Carlos José Assumpção Penteado afirmou que a retenção de relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) pelo general Gonçalves Dias — então ministro-chefe do GSI —, impediu a avaliação real da situação dos atos de 8 de Janeiro. A afirmação foi feita em depoimento, nesta segunda-feira (4), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Ex-secretário-executivo do GSI, Penteado disse que todas as ações conduzidas pela pasta estariam “diretamente relacionadas à retenção [dos alertas da Abin] pelo ministro Gonçalves Dias” e que os relatórios “não foram disponibilizados oportunamente para que fosse acionado o Plano Escudo” antes da invasão nos prédios dos Três Poderes.
“As ações previstas previstas pelos planos públicos teriam impedido a invasão do Palácio do Planalto. Os alertas da Abin não chegaram ao meu conhecimento e tão pouco ao nível responsável pela execução da segurança do Planalto e tampouco ao secretário de segurança e coordenação presidencial”, apontou.
Na quinta-feira (14) da próxima semana, a CPI vai ouvir o depoimento do hacker Walter Delgatti Neto. Ele ficou conhecido pelo envolvimento na organização criminosa que vazou conversas de autoridades, chamada de Operação Vaza Jato. Em depoimento à CPMI do 8 de Janeiro, Delgatti Neto acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de lhe prometer indulto caso assumisse um suposto grampo feito por agentes estrangeiros ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Depois de Neto, a CPI ainda vai ouvir os depoimentos de:
• Coronel Paulo José Ferreira de Souza Bezerra, em 21 de setembro;
• Ana Priscila Azevedo, em 28 de setembro;
• Major Cláudio Mendes dos Santos, em 5 de outubro;
• Capitão José Eduardo Natale de Paula Pereira, em 9 de outubro;
• Saulo Moura da Cunha, em 19 de outubro; e
• Coronel Reginaldo Leitão, em 26 de outubro.
Pelo prazo inicial de 180 dias de duração, a CPI dos Atos Antidemocráticos deveria se encerrar nesta quarta-feira (6), mas os sete membros da comissão pediram por uma prorrogação de 90 dias. Com a extensão, os trabalhos seguem até 5 de dezembro.
Na última quinta-feira (31), a CPI ouviu outras duas pessoas envolvidas nos atos antidemocráticos. O líder indígena José Acácio Serere Xavante e o comerciante suspeito de financiar os atos Armando Valentim Settin Lopes de Andrade. Ao fim dos depoimentos, o presidente da CPI, Chico Vigilante (PT), avaliou que os dois mentiram. Por isso, o colegiado aprovou a quebra de sigilo bancário e telefônico de Serere Xavante; assim como um pedido de inquérito sobre o depoimento de Andrade à Polícia Civil, uma vez que o comerciante teria negado o próprio depoimento prestado à polícia do DF.
FONTE: R7



















