{"id":9624,"date":"2026-06-06T08:32:11","date_gmt":"2026-06-06T12:32:11","guid":{"rendered":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/?p=9624"},"modified":"2026-06-06T08:32:11","modified_gmt":"2026-06-06T12:32:11","slug":"com-tradicoes-ameacadas-indigenas-temem-o-fim-das-aldeias-na-reserva-de-dourados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/2026\/06\/06\/com-tradicoes-ameacadas-indigenas-temem-o-fim-das-aldeias-na-reserva-de-dourados\/","title":{"rendered":"Com tradi\u00e7\u00f5es amea\u00e7adas, ind\u00edgenas temem o fim das aldeias na Reserva de Dourados"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto a RID (Reserva Ind\u00edgena de\u00a0<a class=\"st_tag internal_tag \" title=\"Not\u00edcias de Dourados\" href=\"https:\/\/midiamax.com.br\/municipios\/dourados\/\" rel=\"tag\">Dourados<\/a>) completa 124 anos, moradores veem o futuro com pessimismo. O medo \u00e9 que \u2014 se a l\u00edngua, a reza, os cantos e a transmiss\u00e3o de conhecimento entre gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o forem retomados agora \u2014 as aldeias Jaguapiru e Boror\u00f3 podem chegar \u00e0s pr\u00f3ximas d\u00e9cadas mais parecidas com bairros pobres de Dourados do que com territ\u00f3rios ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Na comemora\u00e7\u00e3o dos 124 anos da RID, a Reportagem<strong>\u00a0<\/strong>produziu reportagens especiais sobre as aldeias Jaguapiru e Boror\u00f3. Esta aborda as perspectivas pouco otimistas para o futuro da Reserva. As outras duas tratam dos problemas sociais, que causam epidemias e denunciam o abandono pelo poder p\u00fablico, al\u00e9m de contar a hist\u00f3ria da comunidade por meio das mem\u00f3rias dos ind\u00edgenas e de documentos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7as e descendentes de caciques hist\u00f3ricos da Reserva revelam suas preocupa\u00e7\u00f5es. Para Edna Silva de Souza, professora e historiadora de 76 anos, filha de Mar\u00e7al de Souza Tup\u00e3\u2019i e moradora da Jaguapiru, a Reserva pode alcan\u00e7ar os pr\u00f3ximos 30 a 40 anos com descendentes de ind\u00edgenas, mas sem falantes da l\u00edngua nativa nem lideran\u00e7as religiosas e com a cultura reduzida a pequenas \u201cilhas\u201d de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>J\u00e1 Ronaldo Ar\u00e9valo, de 49 anos, irm\u00e3o do cacique Reinaldo Ar\u00e9valo, da Boror\u00f3, e bisneto de Ireno Isnard, primeiro capit\u00e3o da RID, acha que esse processo pode ser ainda mais r\u00e1pido na Jaguapiru, j\u00e1 praticamente urbanizada. Em 1977, relat\u00f3rio do Cimi (Conselho Indigenista Mission\u00e1rio) j\u00e1 descrevia a Reserva como \u201cquase um sub\u00farbio da cidade\u201d de Dourados.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.38.jpeg.webp 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.38-300x201.jpeg.webp 300w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3173217\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.38.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.38.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.38-300x201.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"856\" data-id=\"3173217\" data-eio=\"p\" \/><\/picture><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51.jpeg.webp 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51-300x201.jpeg.webp 300w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-3173216\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51-300x201.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"856\" data-id=\"3173216\" data-eio=\"p\" \/><\/picture><\/figure><figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Edna Souza e Ronaldo Ar\u00e9valo (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)<\/figcaption><\/figure>\n<p>E Priscila Maciel Duarte Martins Lopes, 63 anos, agente de sa\u00fade e cacique rezadeira da Boror\u00f3, tenta reagir de outro modo: pede uma casa de reza para manter viva a cultura ind\u00edgena nas crian\u00e7as e adolescentes antes que os mais velhos morram levando junto o que ainda sabem. Ela alerta que, sem isso, ser\u00e1 dif\u00edcil manter a tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 id=\"h-jaguapiru-vai-virar-bairro\" class=\"wp-block-heading\">Jaguapiru vai virar bairro?<\/h3>\n<p>Edna Souza \u00e9 direta ao falar sobre o que teme para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Para ela, a perda da l\u00edngua est\u00e1 ligada \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da identidade. Sem o idioma, a cultura deixa de ser vivida em profundidade e passa a depender de lembran\u00e7as, apresenta\u00e7\u00f5es pontuais ou registros feitos por outras pessoas.\u00a0<strong>\u201cDaqui uns 30 a 40 anos n\u00e3o vai ter mais Guarani Kaiow\u00e1 e nem Nhandeva. Vai ter descendente.<\/strong>\u00a0N\u00e3o vai ter mais \u00edndio falante da l\u00edngua, nem Nhanderu e Nhandesy [lideran\u00e7as espirituais do povo Guarani e Kaiow\u00e1]\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Assim, ela acredita que v\u00e3o existir grupos que tentam sobreviver, mantendo a cultura viva, mas sem uma comunidade inteira de ind\u00edgenas. \u201cV\u00e3o ser ilhas culturais, que v\u00e3o manter a cultura do povo Terena, Guarani e Kaiow\u00e1\u201d, avalia.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.30.jpeg.webp 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.30-300x201.jpeg.webp 300w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-3173237\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.30.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.30.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.30-300x201.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"856\" data-eio=\"p\" \/><\/picture><figcaption class=\"wp-element-caption\">Local de trabalho do cacique, pr\u00f3ximo \u00e0 entrada da Aldeia Jaguapiru (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)<\/figcaption><\/figure>\n<h3 id=\"h-bororo-resiste\" class=\"wp-block-heading\">Boror\u00f3 resiste<\/h3>\n<p>Ronaldo Ar\u00e9valo compartilha parte do pessimismo. Para ele, a Jaguapiru est\u00e1 em processo mais avan\u00e7ado de urbaniza\u00e7\u00e3o. \u201cEla [Edna] fala 30 anos, mas eu acho que nem isso. Em uns 20 anos, principalmente a Aldeia Jaguapiru j\u00e1 estar\u00e1 urbanizada. S\u00f3 falta asfaltar e colocar os nomes nas ruas e bairros\u201d, comenta.<\/p>\n<p>A cacique rezadeira Priscila Maciel concorda com a previs\u00e3o mais negativa \u00e0 Jaguapiru. \u201cVai acabar, porque l\u00e1 s\u00e3o muitos kara\u00ed [brancos]. E aqui, do lado do Boror\u00f3, s\u00e3o todos \u00edndios Kaiow\u00e1 e Guarani, um pouquinho de Terena\u201d. Ela se refere \u00e0 miscigena\u00e7\u00e3o, mais frequente na Jaguapiru.<\/p>\n<p>De fato, a Aldeia Jaguapiru fica mais pr\u00f3xima da cidade e tem concentra\u00e7\u00e3o populacional muito maior, com resid\u00eancias bastante pr\u00f3ximas, caracter\u00edstica estranha \u00e0s comunidades ind\u00edgenas. Al\u00e9m disso, ao caminhar pela Boror\u00f3 \u00e9 muito mais comum ouvir l\u00ednguas dos povos origin\u00e1rios que na outra aldeia.<\/p>\n<p>A Boror\u00f3, segundo Ronaldo, ainda conserva mais for\u00e7a Guarani e Kaiow\u00e1, especialmente pela proximidade com outras aldeias tradicionais e pelo uso cotidiano da l\u00edngua. No entanto, ele n\u00e3o descarta a possibilidade de optarem pela municipaliza\u00e7\u00e3o ou emancipa\u00e7\u00e3o da Reserva. \u201cSe chegar a urbanizar, os \u00edndios daqui v\u00e3o sair todos e v\u00e3o para outra aldeia. Eu mesmo posso estar bem velhinho, mas n\u00e3o fico\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51-2.jpeg.webp 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51-2-300x201.jpeg.webp 300w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3173238\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51-2.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51-2.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51-2-300x201.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"856\" data-id=\"3173238\" data-eio=\"p\" \/><\/picture><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51-1.jpeg.webp 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51-1-300x201.jpeg.webp 300w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3173239\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51-1.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51-1.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.51-1-300x201.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"856\" data-id=\"3173239\" data-eio=\"p\" \/><\/picture><\/figure><figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Aldeia Boror\u00f3 tem resid\u00eancias mais distantes umas das outras (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)<\/figcaption><\/figure>\n<h2 id=\"h-a-lingua-segura-o-povo\" class=\"wp-block-heading\">A l\u00edngua segura o povo<\/h2>\n<p>Entre todos os sinais de perda cultural, a l\u00edngua aparece como o mais grave. Para Edna, o dom\u00ednio do idioma sustenta a identidade e fortalece a luta pol\u00edtica. Quando a crian\u00e7a deixa de falar a l\u00edngua dos antigos, perde tamb\u00e9m uma parte da forma de pensar, rezar, lembrar e se reconhecer como ind\u00edgena.<\/p>\n<p>\u201cEu acredito que hoje\u00a0<strong>o que n\u00e3o deixa um povo cair \u00e9 o dom\u00ednio da l\u00edngua<\/strong>. Porque a l\u00edngua \u00e9 o que traz for\u00e7a de luta para um povo e para um embate, d\u00e1 seguran\u00e7a para ele lutar\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>A historiadora reconhece que ela mesma n\u00e3o ensinou a l\u00edngua \u00e0s filhas.<\/strong>\u00a0A decis\u00e3o, conta, foi atravessada pelo medo do preconceito. Edna queria proteg\u00ea-las da humilha\u00e7\u00e3o sofrida por ind\u00edgenas fora da aldeia, porque ela mesma foi alvo de preconceito quando saiu para a universidade. \u201c\u00c9 muito do\u00eddo\u201d.<\/p>\n<div id=\"ad-0d4cadeb\" class=\"bt-ads bt-ads--google post-internal__ads post-internal__ads--paragraph\">\n<div class=\"r89-mobile-rectangle-infinite-5-on\">\n<div id=\"r89-desktop-incontent-5-on-1-wrapper\">\n<div id=\"r89-desktop-incontent-5-on-1\" data-google-query-id=\"CLDB9cDO8pQDFQY7HgAdutYRJQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/15748617,23324000673\/Midiamaxcombr\/Midiamaxcombr-Desktop-InContent-5-on_1__container__\"><strong>Dos 13.673 habitantes da Reserva, segundo o Censo de 2022, 5.248 (41%) n\u00e3o falam a l\u00edngua ind\u00edgena. <\/strong>S\u00e3o 6,5 mil moradores da etnia Guarani Kaiow\u00e1 e 5,7 mil falantes do idioma. Entre os 3,1 mil Guarani, 1,6 mil falam a l\u00edngua nativa.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>J\u00e1 dos 3,4 mil Terenas, apenas 129 aprenderam a l\u00edngua.\u00a0<\/strong>Nem mesmo o cacique da Aldeia Jaguapiru, Vilmar Martins Machado da Silva, 51 anos, aprendeu a falar o idioma Terena, apenas entende um pouco de Guarani. \u201cA maior parte tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 fluente, s\u00f3 os mais antigos e aquelas fam\u00edlias que ensinam seus filhos. Na minha faixa de idade, muita gente n\u00e3o aprendeu\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.31.jpeg.webp 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.31-300x201.jpeg.webp 300w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3173242\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.31.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.31.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.31-300x201.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"856\" data-id=\"3173242\" data-eio=\"p\" \/><\/picture><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.32.jpeg.webp 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.32-300x201.jpeg.webp 300w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3173243\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.32.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.32.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.32-300x201.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"856\" data-id=\"3173243\" data-eio=\"p\" \/><\/picture><\/figure><figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Cacique Vilmar Terena, da Aldeia Jaguapiru (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na Boror\u00f3, Ronaldo Ar\u00e9valo descreve outro cen\u00e1rio. Para ele, o Guarani ainda segue como primeira l\u00edngua em muitas casas. Ele aprendeu portugu\u00eas na escola e defende que as crian\u00e7as ind\u00edgenas primeiro aprendam a l\u00edngua materna, depois o portugu\u00eas. \u201cA gente tem que come\u00e7ar ensinando o Guarani, que ele aprende a segunda l\u00edngua em portugu\u00eas, conforme vai crescendo\u201d, afirma.<\/p>\n<h2 id=\"h-escola-que-faz-de-conta\" class=\"wp-block-heading\">\u2018Escola que faz de conta\u2019<\/h2>\n<p>A escola \u00e9 uma frente de disputa para a manuten\u00e7\u00e3o cultural. Quando Edna estudou, ela era obrigada a falar e escrever em portugu\u00eas. Agora, para ela, o ensino das l\u00ednguas ind\u00edgenas nas escolas da Reserva tenta reagir ao apagamento, mas ainda erra no m\u00e9todo. Ela critica o modelo que coloca Guarani, Kaiow\u00e1, Terena, portugu\u00eas e ingl\u00eas como disciplinas obrigat\u00f3rias, juntamente.<\/p>\n<p>\u201cComo \u00e9 que vai aprender todas ao mesmo tempo? Sai a professora Kaiow\u00e1 e entra a professora de Terena. N\u00e3o existe isso\u201d, critica. \u201cFaz de conta que eu aprendo Terena, Kaiow\u00e1 e Guarani; faz de conta que eu ensino. \u00c9 mais uma forma, n\u00e3o de ensinar, mas de negar\u201d, declara a filha de Mar\u00e7al de Souza.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dela, cada crian\u00e7a deveria aprender primeiro a l\u00edngua com a qual se identifica a partir da pr\u00f3pria hist\u00f3ria familiar. Depois, poderia buscar outras. O modelo atual, segundo Edna, enfraquece as tr\u00eas l\u00ednguas ao mesmo tempo e cria uma apar\u00eancia de valoriza\u00e7\u00e3o sem formar falantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.28.jpeg.webp 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.28-300x201.jpeg.webp 300w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3173249\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.28.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.28.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.28-300x201.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"856\" data-id=\"3173249\" data-eio=\"p\" \/><\/picture><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.27.jpeg.webp 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.27-300x201.jpeg.webp 300w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3173250\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.27.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.27.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.27-300x201.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"856\" data-id=\"3173250\" data-eio=\"p\" \/><\/picture><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.28-1.jpeg.webp 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.28-1-300x201.jpeg.webp 300w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3173248\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.28-1.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.28-1.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.28-1-300x201.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"856\" data-id=\"3173248\" data-eio=\"p\" \/><\/picture><\/figure><figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Escola Municipal Ind\u00edgena Tengatui Marangatu, na Aldeia Jaguapiru (Pietra Dorneles, Jornal Mdiamax)<\/figcaption><\/figure>\n<h2 id=\"h-como-transmitir-a-tradicao\" class=\"wp-block-heading\">Como transmitir a tradi\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>Quando Mar\u00e7al de Souza era cacique, a resid\u00eancia da fam\u00edlia era uma Casa Grande de Sap\u00e9, tradi\u00e7\u00e3o Guarani Nhandeva. Edna Souza lembra que cerca de 50 crian\u00e7as passavam pela casa dela ao longo do dia e, para isso, caminhavam pelas matas, passando por c\u00f3rregos.<\/p>\n<p>As reuni\u00f5es da aldeia tamb\u00e9m aconteciam na casa do cacique. \u201cParece que era uma coisa sobrenatural\u201d, diz a historiadora. Na roda de chimarr\u00e3o, os mais velhos contavam hist\u00f3rias, falavam dos problemas cotidianos e das poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es. Enquanto isso, as crian\u00e7as e adolescentes brincavam at\u00e9 a hora da refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA gente sentava, comia e ia escutar as hist\u00f3rias dos mais velhos\u201d, lembra Edna. Assim, de forma oral, a mem\u00f3ria da comunidade era transmitida entre gera\u00e7\u00f5es, assim como os costumes e tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Hoje, tudo isso \u00e9 muito menos frequente e feito de forma pontual.<\/p>\n<p>Ela ainda mora na mesma \u00e1rea onde ficava a Casa Grande. Bem perto de l\u00e1, onde hoje h\u00e1 uma igreja evang\u00e9lica, ficava uma casa de reza \u2014 espa\u00e7o reservado pelos Guarani e Kaiow\u00e1 para as dan\u00e7as e os benzimentos. Hoje, h\u00e1 apenas uma na Reserva, que fica na Jaguapiru.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.37.jpeg.webp 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.37-300x201.jpeg.webp 300w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3173251\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.37.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.37.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.37-300x201.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"856\" data-eio=\"p\" \/><\/picture><figcaption class=\"wp-element-caption\">Edna Souza, no territ\u00f3rio que j\u00e1 foi de seu pai, Mar\u00e7al de Souza (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)<\/figcaption><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-full is-resized\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.05-1.jpeg.webp 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.05-1-300x201.jpeg.webp 300w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3173269\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.05-1.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.05-1.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.28.05-1-300x201.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"856\" data-eio=\"p\" \/><\/picture><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nely Machado, de 27 anos, dona de casa (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)<\/figcaption><\/figure>\n<h3 id=\"h-cultura-nao-e-so-19-de-abril\" class=\"wp-block-heading\">Cultura n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 19 de abril<\/h3>\n<p>Para a Guarani Kaiow\u00e1 Nely Machado, de 27 anos, dona de casa, a cultura ind\u00edgena n\u00e3o pode ser lembrada apenas em data comemorativa. Filha de Priscila, ela cresceu aprendendo com a m\u00e3e a participar de dan\u00e7as, fazer brincos, artesanatos e falar a l\u00edngua ind\u00edgena. Hoje, tenta repetir o ensinamento com os pr\u00f3prios filhos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Dia do \u00cdndio que a gente tem que mostrar a nossa beleza ind\u00edgena. A gente tamb\u00e9m tem que manter a nossa l\u00edngua, que \u00e9 o Guarani, o Kaiow\u00e1 e o Terena\u201d, afirma Nely, ao lado da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Entre as pessoas que Nely conhece, uma parte ainda transmite os conhecimentos, mas outra parcela deixou de passar adiante o que recebeu dos ancestrais. A preocupa\u00e7\u00e3o dela n\u00e3o se limita ao idioma. Filha de cacique rezadeira, Nely tamb\u00e9m teme perder a tradi\u00e7\u00e3o dos rem\u00e9dios caseiros, ervas medicinais e pr\u00e1ticas de cuidado.<\/p>\n<p>Ronaldo Ar\u00e9valo tamb\u00e9m sente falta da frequ\u00eancia dos encontros. \u201cAntigamente era tipo uma igreja; ter\u00e7a, quinta, final de semana; o povo estava l\u00e1 dan\u00e7ando\u201d, relata. Agora, diz ele, \u00e9 s\u00f3 no m\u00eas dos povos ind\u00edgenas que muita gente volta a ver as apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"wp-block-themeisle-blocks-slider-bcda5d4d\" class=\"wp-block-themeisle-blocks-slider glide glide--ltr glide--carousel glide--swipeable\" data-per-view=\"2\" data-gap=\"0\" data-peek=\"0\" data-autoplay=\"true\" data-height=\"400px\" data-hide-arrows=\"false\">\n<div class=\"glide__track\" data-glide-el=\"track\">\n<div class=\"glide__slides\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3 id=\"h-se-os-velhos-nao-ensinam-acaba\" class=\"wp-block-heading\">Se os velhos n\u00e3o ensinam, acaba<\/h3>\n<p>Priscila Maciel fala do futuro a partir da responsabilidade dos mais velhos. Para ela, a aldeia se desorientou quando os anci\u00e3os deixaram de ocupar o lugar de ensinar.\u00a0<strong>\u201cA comunidade ind\u00edgena se perdeu porque o vov\u00f4 e a av\u00f3 n\u00e3o estavam mais em frente ensinando para o futuro\u201d, afirma.<\/strong><\/p>\n<div id=\"ad-d7958166\" class=\"bt-ads bt-ads--google post-internal__ads post-internal__ads--paragraph\">\n<div class=\"r89-mobile-rectangle-infinite-5-on\">\n<div id=\"r89-desktop-incontent-5-on-6-wrapper\">\n<div id=\"r89-desktop-incontent-5-on-6\" data-google-query-id=\"CLXB9cDO8pQDFQY7HgAdutYRJQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/15748617,23324000673\/Midiamaxcombr\/Midiamaxcombr-Desktop-InContent-5-on_6__container__\">Priscila come\u00e7ou a se formar como Nhandesy (cacique rezadeira, l\u00edder espiritual) aos quatro anos. A refer\u00eancia dela \u00e9 o Opy Gua\u00e7u (grande casa de reza), onde se aprende como em uma aula, mas na l\u00edngua e pela espiritualidade ind\u00edgena. Agora, ela tenta fazer com os netos o que recebeu dos antigos. Quer ensinar reza, rem\u00e9dio caseiro, dan\u00e7a, marac\u00e1 (chocalho utilizado nas rezas) e cuidado espiritual.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Sobre o poss\u00edvel prazo de fim das aldeias, Priscila n\u00e3o faz uma previs\u00e3o, mas um alerta. \u201cSe n\u00f3s, que somos idosos, n\u00e3o ensinarmos as crian\u00e7as desde os 6 at\u00e9 os 18 anos, eu acho que ali acaba\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ela diz que muitos querem aprender, mas falta estrutura. \u00c9 nesse ponto que aparece a demanda por uma casa de reza na Boror\u00f3.<strong>\u00a0\u201cO que eu preciso mais \u00e9 uma oca. Uma Casa de Reza para n\u00f3s.\u00a0<\/strong>Eu quero para incentivar essas crian\u00e7as e adolescentes, para ensinar aqui na Aldeia Boror\u00f3\u201d.<\/p>\n<div id=\"ad-2b534ba2\" class=\"bt-ads bt-ads--google post-internal__ads post-internal__ads--paragraph\">\n<div class=\"r89-mobile-rectangle-infinite-5-on\">\n<div id=\"r89-desktop-incontent-5-on-7-wrapper\">\n<div id=\"r89-desktop-incontent-5-on-7\" data-google-query-id=\"CLbB9cDO8pQDFQY7HgAdutYRJQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/15748617,23324000673\/Midiamaxcombr\/Midiamaxcombr-Desktop-InContent-5-on_7__container__\">Priscila diz que ouve esse pedido de moradores por onde passa. \u201cTem muitos que querem aprender\u201d, relata. Como agente de sa\u00fade, ela percorre toda a aldeia em visitas domiciliares, assim como fazia Mar\u00e7al de Souza.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 id=\"h-chamam-a-gente-de-demonio\" class=\"wp-block-heading\">\u2018Chamam a gente de dem\u00f4nio\u2019<\/h2>\n<p>Desde os anos 1920, a influ\u00eancia crist\u00e3 evang\u00e9lica na Reserva \u00e9 muito grande. Primeiro, a Miss\u00e3o Caiu\u00e1 entrou nas aldeias para catequizar os ind\u00edgenas. Apesar de existir uma resist\u00eancia inicial a respeito da l\u00edngua materna pelos professores da Miss\u00e3o, a Igreja Presbiteriana traduziu a b\u00edblia para o guarani e faz cultos na l\u00edngua ind\u00edgena.<\/p>\n<p>No entanto, Priscila afirma que outras\u00a0 igrejas protestantes ainda tentam desqualificar e aniquilar pr\u00e1ticas ind\u00edgenas, especialmente as igrejas pentecostais. Inclusive, da casa da cacique, \u00e9 poss\u00edvel ouvir bem alto as prega\u00e7\u00f5es de um desses templos, que fica pr\u00f3ximo dali.<\/p>\n<div id=\"ad-7a962cad\" class=\"bt-ads bt-ads--google post-internal__ads post-internal__ads--paragraph\">\n<div class=\"r89-mobile-rectangle-infinite-5-on\">\n<div id=\"r89-desktop-incontent-5-on-8-wrapper\">\n<div id=\"r89-desktop-incontent-5-on-8\" data-google-query-id=\"CLfB9cDO8pQDFQY7HgAdutYRJQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/15748617,23324000673\/Midiamaxcombr\/Midiamaxcombr-Desktop-InContent-5-on_8__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.11.jpeg.webp 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.11-300x201.jpeg.webp 300w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3173274\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.11.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.11.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-12.27.11-300x201.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"856\" data-eio=\"p\" \/><\/picture><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cacique rezadeira Priscila Maciel (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201c<strong>Eles chamam a gente de dem\u00f4nio, falam que a gente \u00e9 chifrudo<\/strong>. Tanto nome feio\u2026 Mas eu n\u00e3o ligo, deixa que falem. Eu com Deus agrade\u00e7o\u201d, afirma a lideran\u00e7a religiosa, que segue altiva frente aos ataques preconceituosos.<\/p>\n<p>Ronaldo Ar\u00e9valo, que \u00e9 mission\u00e1rio da Igreja Metodista, tamb\u00e9m faz distin\u00e7\u00e3o entre as igrejas que rejeitam a cultura ind\u00edgena e as que usam a l\u00edngua e os cantos dos povos origin\u00e1rios. Para ele, \u00e9 poss\u00edvel ser evang\u00e9lico e respeitar\u00a0as ocas, dan\u00e7as e rezas. \u201cAcabei concluindo que Deus \u00e9 um s\u00f3\u201d.<\/p>\n<h2 id=\"h-o-poder-da-caneta\" class=\"wp-block-heading\">\u2018O poder da caneta\u2019<\/h2>\n<p>Se a l\u00edngua d\u00e1 for\u00e7a e identidade ao povo, a pol\u00edtica pode abrir caminho para as demandas. Para Edna Souza, o ingresso de ind\u00edgenas na pol\u00edtica partid\u00e1ria seria o ponto de partida para o reconhecimento de mais direitos aos povos origin\u00e1rios em Dourados e o fortalecimento das duas aldeias.<\/p>\n<div id=\"ad-d57c33cd\" class=\"bt-ads bt-ads--google post-internal__ads post-internal__ads--paragraph\">\n<div class=\"r89-mobile-rectangle-infinite-5-on\">\n<div id=\"r89-desktop-incontent-5-on-9-wrapper\">\n<div id=\"r89-desktop-incontent-5-on-9\" data-google-query-id=\"CPyW-t7O8pQDFfevlQId3sMQsg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/15748617,23324000673\/Midiamaxcombr\/Midiamaxcombr-Desktop-InContent-5-on_9__container__\">\u201c<strong>Eu falo que a sociedade douradense, e meu pai tamb\u00e9m falava, ela \u00e9 anti-\u00edndio<\/strong>. Porque, enquanto a gente n\u00e3o colocar, n\u00f3s ind\u00edgenas daqui de Dourados e de todas as comunidades, representantes l\u00e1 dentro, para ter o poder da fala e da caneta, ningu\u00e9m vai trazer benef\u00edcio para c\u00e1\u201d, declara.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ronaldo Ar\u00e9valo faz avalia\u00e7\u00e3o parecida. Segundo ele, a Reserva tem for\u00e7a eleitoral suficiente para eleger representantes pr\u00f3prios, mas ainda dispersa votos e perde poder pol\u00edtico. \u201cAqui tem mais de 10 mil votos. Quando \u00e9 \u00e9poca de pol\u00edtica, os candidatos est\u00e3o todos aqui na Aldeia tomando terer\u00e9. Mas ganhou, \u00e9 tchau e b\u00ean\u00e7\u00e3o. Cada um por si e Deus por todos\u201d, critica.<\/p>\n<p>Para ele, a comunidade precisa acordar para a pr\u00f3pria for\u00e7a. \u201cEu espero que essa comunidade da Aldeia de Dourados acorde e eleja um vereador ind\u00edgena para lutar por n\u00f3s na C\u00e2mara. E que eleja tamb\u00e9m um deputado estadual, porque temos condi\u00e7\u00e3o para isso\u201d.<\/p>\n<div id=\"ad-f3ecaa43\" class=\"bt-ads bt-ads--google post-internal__ads post-internal__ads--paragraph\">\n<div class=\"r89-mobile-rectangle-infinite-5-on\">\n<div id=\"r89-desktop-incontent-5-on-10-wrapper\">\n<div id=\"r89-desktop-incontent-5-on-10\" data-google-query-id=\"CLnB9cDO8pQDFQY7HgAdutYRJQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/15748617,23324000673\/Midiamaxcombr\/Midiamaxcombr-Desktop-InContent-5-on_10__container__\">Edna Souza aposta suas fichas na juventude universit\u00e1ria. Ela diz que os ind\u00edgenas precisam ocupar as universidades para registrarem a sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria e a de seus antepassados. Assim, eles poder\u00e3o alcan\u00e7ar o \u201cpoder da caneta\u201d \u2013 ou seja, a capacidade de escrever projetos, aprovar pol\u00edticas e disputar decis\u00f5es sem depender de intermedi\u00e1rios n\u00e3o-ind\u00edgenas.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cA hist\u00f3ria vai ser escrita por esses jovens que est\u00e3o nos bancos acad\u00eamicos. Eles v\u00e3o escrever outra hist\u00f3ria com poder da caneta\u201d, diz Edna. Essa \u00e9 tamb\u00e9m uma continua\u00e7\u00e3o do sonho de Mar\u00e7al de Souza, que defendia a uni\u00e3o dos povos ind\u00edgenas em torno de uma luta comum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: <strong>Jornal Midiamax<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto a RID (Reserva Ind\u00edgena de\u00a0Dourados) completa 124 anos, moradores veem o futuro com pessimismo. O medo \u00e9 que \u2014 se a l\u00edngua, a reza, os cantos e a transmiss\u00e3o de conhecimento entre gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o forem retomados agora \u2014 as aldeias Jaguapiru e Boror\u00f3 podem chegar \u00e0s pr\u00f3ximas d\u00e9cadas mais parecidas com bairros pobres de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9625,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[165,108],"tags":[],"class_list":["post-9624","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9624"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9624\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9626,"href":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9624\/revisions\/9626"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9625"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}