{"id":9243,"date":"2026-04-21T08:42:52","date_gmt":"2026-04-21T12:42:52","guid":{"rendered":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/?p=9243"},"modified":"2026-04-21T08:42:52","modified_gmt":"2026-04-21T12:42:52","slug":"local-onde-onca-matou-caseiro-touro-morto-e-invadido-por-curiosos-e-vira-caso-de-policia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/2026\/04\/21\/local-onde-onca-matou-caseiro-touro-morto-e-invadido-por-curiosos-e-vira-caso-de-policia\/","title":{"rendered":"Local onde on\u00e7a matou caseiro, Touro Morto \u00e9 invadido por curiosos e vira caso de pol\u00edcia"},"content":{"rendered":"<p>Um dos cen\u00e1rios mais preservados e cobi\u00e7ados para a pesca esportiva no Pantanal sul-mato-grossense passou a atrair um outro tipo de visitante: curiosos em busca de vest\u00edgios de uma trag\u00e9dia que chocou Mato Grosso do Sul e o Brasil.<\/p>\n<p>Um ano ap\u00f3s o\u00a0<a href=\"https:\/\/midiamax.com.br\/policia\/2025\/laudo-confirma-morte-de-jorginho-por-ataque-de-onca-cabeca-e-pescoco-foram-as-regioes-atingidas\/\">ataque de uma on\u00e7a-pintada que matou o caseiro Jorge \u00c1valo<\/a>, a propriedade \u00e0s margens do Rio Miranda, regi\u00e3o conhecida como Touro Morto, em Aquidauana, virou ponto de um turismo t\u00e3o improv\u00e1vel quanto proibido e tem levado donos a registrarem boletins de ocorr\u00eancia por invas\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 exato um ano, o ataque de uma on\u00e7a-pintada no Pantanal sul-mato-grossense, que culminou na morte do caseiro Jorge \u00c1valo, ganhava os notici\u00e1rios do mundo. Hoje, o local onde tudo aconteceu, que est\u00e1 em uma \u00e1rea isolada, carrega uma nova fama: a de destino de curiosidade m\u00f3rbida, impulsionada principalmente por v\u00eddeos nas redes sociais.<\/p>\n<p>Apesar do interesse recente, a regi\u00e3o sempre foi conhecida por outro motivo. Tradicional entre pescadores, o trecho do Rio Miranda \u00e9 valorizado pela \u00e1gua cristalina e abund\u00e2ncia de esp\u00e9cies como pintado, cachara e pacu. A pr\u00e1tica do \u201cpesque e solte\u201d \u00e9 comum em \u00e1reas pr\u00f3ximas ao parque estadual, como forma de preserva\u00e7\u00e3o da fauna.<\/p>\n<p>O acesso, no entanto, nunca foi simples e continua n\u00e3o sendo. Isolada, a propriedade s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada por barco ou helic\u00f3ptero, em meio \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o densa t\u00edpica do Pantanal. A dificuldade log\u00edstica, por\u00e9m, n\u00e3o tem impedido a chegada de visitantes.<\/p>\n<h2 id=\"h-curiosidade-viral\" class=\"wp-block-heading\">Curiosidade viral<\/h2>\n<p>Pelas redes sociais, v\u00eddeos que mostram o local ultrapassam 70 mil visualiza\u00e7\u00f5es. Em um registro recente, publicado na p\u00e1gina Pantanal Fishing, na \u00faltima quinta-feira (16), um grupo de pesca navega no rio enquanto para s\u00f3 para observar o local do ataque.<\/p>\n<p>\u201cA gente est\u00e1 aqui no Rio Aquidauana com a barra do Touro Morto, um riozinho que cai aqui. Esse \u00e9 o lugar onde a on\u00e7a atacou o Jorginho\u201d. Em seguida, o pescador descreve o dia do ataque e como a regi\u00e3o \u00e9 repleta de animais silvestres tipicamente pantaneiros. \u201cAqui tem muita on\u00e7a. \u00c9 perigoso. \u00c9 o Pantanal extremo.\u201d<\/p>\n<p>Em outro registro encontrado nas redes, h\u00e1 a descri\u00e7\u00e3o: \u201cFomos para o Pantanal e andamos quase o dia todo de barco s\u00f3 pra ver a casa onde o caseiro Jorge foi comido pela on\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>O registro mostra v\u00e1rios grupos em barcos pr\u00f3ximos ao pesqueiro. Uma pescadora amadora descreve o local, que possui uma passarela e um sobrado. \u201cAtra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica agora \u00e9 a casa do Jorge, onde a on\u00e7a comeu ele.\u201d<\/p>\n<p>Outro pescador tamb\u00e9m registrou o cen\u00e1rio envolto em lendas urbanas ap\u00f3s o ataque. A passarela de acesso de barcos, local onde Jorge teria sido atacado, ainda teria manchas de sangue.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda conte\u00fados que se assemelham a visitas guiadas. \u201cEssa imagem rodou o mundo. Vem conhecer. A on\u00e7a se escondeu atr\u00e1s desse p\u00e9 de coco. Ficou \u00e0 espreita esperando o seu Jorginho, que vinha todo dia. Eram 6h, a on\u00e7a fez uma tocaia. Os \u00faltimos momentos de vida foram aqui [apontando para a passarela].\u201d<\/p>\n<p>Relatos que circulam nesses v\u00eddeos refor\u00e7am a imagem do animal como estrat\u00e9gico e silencioso, alimentando o imagin\u00e1rio coletivo em torno do caso.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">\n<h2 id=\"h-olho-de-muita-curiosidade\" class=\"wp-block-heading\">\u2018Olho de muita curiosidade\u2019<\/h2>\n<p>Preferindo anonimato, um pescador amador, que teria conhecido Jorge e conhece o propriet\u00e1rio, conta que frequenta a regi\u00e3o h\u00e1 30 anos justamente pela fama da regi\u00e3o ser de isolamento e pela riqueza ambiental. Para ele, Touro Morto tem uma das \u00e1guas mais cristalinas para pesca e fartura de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>\u201cL\u00e1 virou olho de muita curiosidade. Virou um ponto de refer\u00eancia em Touro Morto. Tem grupo de pesca que sai e diz: vamos l\u00e1 conhecer o lugar onde a on\u00e7a matou o caseiro. Virou um lugar \u2018Instagram\u00e1vel\u2019. Um lugar para voc\u00ea filmar e falar que j\u00e1 esteve l\u00e1\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cO lugar fica bem isolado, n\u00e3o tem vizinhos e fica a uns 120 quil\u00f4metros do Passo do Lontra, que \u00e9 onde muitos turistas locais e estrangeiros saem. A regi\u00e3o de Touro Morto \u00e9 muito bonita, sempre foi.\u201d<\/p>\n<p>O aumento da curiosidade tem gerado problemas. Segundo relatos de pessoas ligadas ao local, a \u00e1rea \u00e9 privada e n\u00e3o recebe visitantes. A entrada sem autoriza\u00e7\u00e3o tem motivado registros de ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cEle [dono da propriedade] colocou bastante c\u00e2mera de seguran\u00e7a para flagrar quem entra. Ele tira print e faz boletim de ocorr\u00eancia. Tem um monte de processo \u2018rolando\u2019, porque n\u00e3o pode entrar no local.\u201d<\/p>\n<h2 id=\"h-caseiro-insubstituivel\" class=\"wp-block-heading\">Caseiro insubstitu\u00edvel<\/h2>\n<p>Conforme um familiar de Jorginho, que n\u00e3o ser\u00e1 identificado, o espa\u00e7o permanece sem caseiro fixo desde a morte dele, com manuten\u00e7\u00e3o espor\u00e1dica.<\/p>\n<p>\u201cL\u00e1 \u00e9 uma propriedade privada. Na \u00e9poca, nem o Jorginho deixava a gente fazer churrasco ou nada.\u201d<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s vezes, o pessoal [turistas] desce para tirar foto, por causa do acontecido. O dono fica bravo. Ele tem um monte de c\u00e2mera e v\u00ea quando o povo desce l\u00e1. Mas nunca segura ningu\u00e9m ali se n\u00e3o tiver um caseiro. [A propriedade] fica na beira do rio. O velho fica bravo quando isso acontece.\u201d<\/p>\n<h2 id=\"h-monitoramento\" class=\"wp-block-heading\">Monitoramento<\/h2>\n<p>Segundo o 3\u00b0 sargento e comandante do 2\u00b0 Grupamento da PMA Barra, em Aquidauana, Luiz Alberto Antonieto, o policiamento aumentou na regi\u00e3o ap\u00f3s o fato in\u00e9dito, tanto para a preserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie quanto para a seguran\u00e7a dos turistas e pescadores que frequentam o trecho.<\/p>\n<p>Contudo, houve um pico no fluxo de turistas passando em frente ao local, fazendo v\u00eddeos; por\u00e9m, a \u00e1rea esteve monitorada, com a PMA acompanhando e orientando os turistas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a. Nos dias atuais, o movimento est\u00e1 dentro da normalidade.<\/p>\n<p>\u201cO local \u00e9 uma propriedade privada, com v\u00e1rias placas informativas; portanto, as pessoas que descem e adentram o im\u00f3vel devem evitar essa conduta, para n\u00e3o correrem o risco de estarem cometendo crime de viola\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio, podendo at\u00e9 configurar furto em alguns casos, ao colherem frutos da \u00e1rea privada sem permiss\u00e3o do propriet\u00e1rio.\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o temos dados se os donos fizeram boletim de ocorr\u00eancia, pois este \u00e9 registrado diretamente na Pol\u00edcia Civil. Tirar fotos, fazer v\u00eddeos ou descer na margem para \u2018esticar as pernas\u2019 n\u00e3o \u00e9 crime, mas adentrar as depend\u00eancias do im\u00f3vel pode configurar os delitos mencionados acima\u201d, pontua o sargento Antonieto.<\/p>\n<h2 id=\"h-cuidados-permanecem\" class=\"wp-block-heading\">Cuidados permanecem<\/h2>\n<p>O sargento ainda salienta que cevar um animal silvestre, como a on\u00e7a, \u00e9 crime. Ao avistar o animal, deve-se manter uma dist\u00e2ncia de seguran\u00e7a e jamais jogar peixes ou quaisquer outros alimentos com o intuito de prender a presen\u00e7a do animal.<\/p>\n<p>\u201cA \u00e1rea est\u00e1 dentro de uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o, o Parque Estadual do Rio Negro, onde \u00e9 permitida somente a modalidade de pesca pesque e solte\u201d, conclui.<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-9245\" src=\"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ataque-onca-pantanal-1024x576-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"387\" height=\"218\" srcset=\"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ataque-onca-pantanal-1024x576-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ataque-onca-pantanal-1024x576-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ataque-onca-pantanal-1024x576-1-750x422.jpg 750w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ataque-onca-pantanal-1024x576-1.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 387px) 100vw, 387px\" \/> <img decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-9246\" src=\"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/jor-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"387\" height=\"218\" srcset=\"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/jor-300x169.jpg 300w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/jor-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/jor-768x432.jpg 768w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/jor-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/jor-750x422.jpg 750w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/jor-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/jor.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 387px) 100vw, 387px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Midiamax<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">\n<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos cen\u00e1rios mais preservados e cobi\u00e7ados para a pesca esportiva no Pantanal sul-mato-grossense passou a atrair um outro tipo de visitante: curiosos em busca de vest\u00edgios de uma trag\u00e9dia que chocou Mato Grosso do Sul e o Brasil. 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