{"id":8256,"date":"2025-12-03T08:11:59","date_gmt":"2025-12-03T12:11:59","guid":{"rendered":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/?p=8256"},"modified":"2025-12-03T08:11:59","modified_gmt":"2025-12-03T12:11:59","slug":"indios-sao-burros-aluna-e-vitima-de-injuria-racial-durante-aula-no-curso-de-direito-da-uems","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/2025\/12\/03\/indios-sao-burros-aluna-e-vitima-de-injuria-racial-durante-aula-no-curso-de-direito-da-uems\/","title":{"rendered":"\u2018\u00cdndios s\u00e3o burros\u2019: aluna \u00e9 v\u00edtima de inj\u00faria racial durante aula no curso de Direito da UEMS"},"content":{"rendered":"<p>Uma estudante do curso de Direito da UEMS (Universidade Estadual de\u00a0<a class=\"st_tag internal_tag \" title=\"Mais not\u00edcias de Mato Grosso do Sul\" href=\"https:\/\/midiamax.com.br\/tag\/mato-grosso-do-sul\/\" rel=\"tag\">Mato Grosso do Sul<\/a>), em\u00a0<a class=\"st_tag internal_tag \" title=\"Mais not\u00edcias de Campo Grande\" href=\"https:\/\/midiamax.com.br\/municipios\/campo-grande\/\" rel=\"tag\">Campo Grande<\/a>, registrou boletim de ocorr\u00eancia por inj\u00faria racial contra dois alunos que teriam proferido palavras de cunho ofensivo a ela, durante as aulas. A v\u00edtima, de etnia Terena, cursa o quarto semestre.<\/p>\n<p>O caso tamb\u00e9m foi denunciado na plataforma Fala BR, do Governo Federal, ao MPMS (Minist\u00e9rio P\u00fablico de Mato Grosso do Sul) e \u00e0 Defensoria P\u00fablica, em novembro de 2024, ano em que a estudante ingressou na universidade.<\/p>\n<p>Conforme relato da v\u00edtima, as \u2018provoca\u00e7\u00f5es\u2019 por parte dos colegas come\u00e7aram logo no in\u00edcio do primeiro semestre do curso, em mar\u00e7o de 2024. Ela detalha que uma aluna \u2014 na \u00e9poca l\u00edder de sala \u2014 e um amigo costumavam fazer coment\u00e1rios debochados utilizando o termo \u2018\u00edndio\u2019, j\u00e1 em desuso, de forma pejorativa, inclusive, chegando at\u00e9 a serem corrigidos por um professor em sala de aula.<\/p>\n<p>\u201cO professor at\u00e9 corrigiu, falou, \u2018Olha, n\u00e3o se usa mais o termo \u00edndio, \u00e9 ind\u00edgena ou povos\u00a0origin\u00e1rios\u2019. At\u00e9 a\u00ed, tudo bem, ela s\u00f3 tirou o sarro. No mesmo dia, a mesma aluna, s\u00f3 que dessa vez com o amigo dela, falou \u2018Fulano,\u00a0n\u00f3s vamos ser processados pelos \u00edndios\u2019 e caiu na gargalhada, os dois. Mas eu deixai pra l\u00e1, [pensei que] \u00e0s vezes era imaturidade dos dois\u201d, detalha.<\/p>\n<p>As provoca\u00e7\u00f5es n\u00e3o pararam por a\u00ed. \u201cUm dia, quando eu adentrei na sala, eu estava usando\u00a0o meu brinco, representativo da minha etnia Terena. Eu sentei e\u00a0percebi que os dois estavam em dupla atr\u00e1s da minha carteira. Quando eu sentei e olhei para\u00a0tr\u00e1s, o rapaz, ao me ver com o brinco, come\u00e7ou a bater na boca, imitando uma vers\u00e3o estereotipada\u00a0do amer\u00edndio, e a aluna deu gargalhadas. N\u00e3o falei nada. Engoli\u201d.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o, no entanto, chegou ao estopim em novembro do mesmo ano, quando, ao precisar fazer uma prova optativa, a dupla a chamou de burra. \u201cQuando eu adentrei na\u00a0sala, estavam os mesmos dois alunos, e a\u00ed ela olhou para ele e\u00a0apontou com o olhar pra mim, e falou para ele \u2018Olha quem\u00a0veio fazer a prova optativa\u2019. E a\u00ed ele, logo em seguida, falou: \u2018Os \u00edndios s\u00e3o burros\u201d. E os dois riram.\u201d<\/p>\n<p>A cena foi testemunhada pelos demais colegas de curso, que incentivaram a v\u00edtima a denunciar o caso por inj\u00faria racial.<\/p>\n<h2 id=\"h-vitima-relata-se-sentir-desamparada\" class=\"wp-block-heading\">V\u00edtima relata se sentir \u2018desamparada\u2019<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s levar a situa\u00e7\u00e3o ao conhecimento da coordena\u00e7\u00e3o do curso, a v\u00edtima expressa que se sente totalmente desamparada pela institui\u00e7\u00e3o. Ela afirma que n\u00e3o recebeu nenhum tipo de acompanhamento psicol\u00f3gico ou suporte emocional, e que a situa\u00e7\u00e3o tem impactado seu desempenho.<\/p>\n<p>\u201cMe abalou muito emocionalmente. Importante ressaltar que o tempo todo essa \u2018Comiss\u00e3o Processante\u2019 esteve tentando desqualificar a minha den\u00fancia, inclusive falando que eu n\u00e3o sou ind\u00edgena, perguntando se eu sou ind\u00edgena mesmo, sendo que, quando eu iniciei o curso, atrav\u00e9s das cotas, eu apresentei documento. Hoje eu me sinto coagida dentro da universidade, sinto que me tratam com indiferen\u00e7a\u201d, desabafa a v\u00edtima.<\/p>\n<p>A estudante tamb\u00e9m relata que, durante a oitiva, a Comiss\u00e3o Processante solicitou a presen\u00e7a do\u00a0<a class=\"st_tag internal_tag \" title=\"Mais not\u00edcias de Advogado\" href=\"https:\/\/midiamax.com.br\/tag\/advogado\/\" rel=\"tag\">advogado<\/a>\u00a0dos agressores durante o depoimento da v\u00edtima, que n\u00e3o possu\u00eda nenhum representante. A situa\u00e7\u00e3o, conforme ela expressa, deixou-a nervosa. \u201cEu estava sozinha ali, se aproveitaram para colocar o advogado do rapaz na minha frente. Fiquei nervosa, at\u00e9 porque eu estava esperando que eu daria um depoimento para a UEMS dos fatos, eu n\u00e3o estava esperando que o advogado do agressor estaria no meu depoimento. Eu sa\u00ed de l\u00e1 bem constrangida.\u201d<\/p>\n<p>O Coletivo Rede de Saberes, da UEMS, que defende a perman\u00eancia de ind\u00edgenas no ensino superior, emitiu uma nota de rep\u00fadio, cobrando celeridade das investiga\u00e7\u00f5es e prestando apoio \u00e0 v\u00edtima. \u201cAcreditamos que toda a comunidade universit\u00e1ria deve se comprometer com a constru\u00e7\u00e3o de uma universidade realmente plural, inclusive antirracista\u201d, diz a nota.<\/p>\n<h2 id=\"h-o-que-diz-a-uems\" class=\"wp-block-heading\">O que diz a UEMS?<\/h2>\n<p>Em nota encaminhada \u00e0 imprensa, a UEMS informou que as den\u00fancias encaminhadas \u00e0 Ouvidoria da Institui\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo apuradas no \u00e2mbito administrativo:<\/p>\n<p>\u201c<em>Para este fim, foi instaurada Sindic\u00e2ncia Administrativa por meio da PORTARIA \u2018P\u2019\/UEMS n.\u00ba 660, de 04 de junho de 2025, publicada no Di\u00e1rio Oficial n.\u00ba 11.848, de 05 de junho de 2025, \u00e0s p\u00e1ginas 240-241. O procedimento encontra-se em pleno andamento, conduzido por comiss\u00e3o sindicante designada especificamente para a apura\u00e7\u00e3o dos fatos, respeitando integralmente o devido processo legal, a ampla defesa e o contradit\u00f3rio.<\/em><\/p>\n<p><em>Conforme disp\u00f5e o artigo 60 da Resolu\u00e7\u00e3o CGE\/MS n.\u00ba 63, de 10 de mar\u00e7o de 2022, os procedimentos correcionais tramitam sob sigilo administrativo, medida necess\u00e1ria para garantir a efetividade das investiga\u00e7\u00f5es e a integridade das apura\u00e7\u00f5es em curso. Da mesma forma, o artigo 247 da Lei Estadual n.\u00ba 1.102, de 10 de outubro de 1990, estabelece que a comiss\u00e3o deve assegurar ao processo disciplinar o sigilo indispens\u00e1vel \u00e0 elucida\u00e7\u00e3o dos fatos e ao interesse da Administra\u00e7\u00e3o<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Midiamax<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma estudante do curso de Direito da UEMS (Universidade Estadual de\u00a0Mato Grosso do Sul), em\u00a0Campo Grande, registrou boletim de ocorr\u00eancia por inj\u00faria racial contra dois alunos que teriam proferido palavras de cunho ofensivo a ela, durante as aulas. A v\u00edtima, de etnia Terena, cursa o quarto semestre. 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