{"id":4927,"date":"2024-04-06T20:14:06","date_gmt":"2024-04-06T20:14:06","guid":{"rendered":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/?p=4927"},"modified":"2024-04-06T20:14:06","modified_gmt":"2024-04-06T20:14:06","slug":"pai-do-menino-maluquinho-e-do-pasquim-ziraldo-morre-aos-91-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/2024\/04\/06\/pai-do-menino-maluquinho-e-do-pasquim-ziraldo-morre-aos-91-anos\/","title":{"rendered":"Pai do Menino Maluquinho e do Pasquim, Ziraldo morre aos 91 anos"},"content":{"rendered":"<p>Morreu neste s\u00e1bado (06) o cartunista, escritor, jornalista, colunista e dramaturgo Ziraldo, aos 91 anos. A informa\u00e7\u00e3o foi confirmada pela fam\u00edlia, que n\u00e3o divulgou a causa da morte.<\/p>\n<p>Filho de dona Zizinha e seu Geraldo \u2014 mistura que deu origem a seu nome \u2014, Ziraldo Alves Pinto nasceu em 24 de outubro de 1932 em Caratinga (MG). Ao longo de sete d\u00e9cadas de carreira, deixou uma marca importante na cultura brasileira, com livros, charges e um dos principais ve\u00edculos de cr\u00edtica \u00e0 ditadura militar, o jornal &#8216;O Pasquim&#8217;.<\/p>\n<p><em>O Menino Maluquinho<\/em>, sua principal obra, foi publicado em 1980, e virou adapta\u00e7\u00e3o para o cinema e para a TV, seriados, desenhos animados e at\u00e9 \u00f3pera. O livro, que vendeu milh\u00f5es de c\u00f3pias em todo o mundo, recebeu o pr\u00eamio Jabuti de literatura infantil de 1980.<\/p>\n<p>Em 1958, ele se casou com a esposa, Vilma, com quem teve tr\u00eas filhos: as cineastas e dramaturgas Daniela Thomas e Fabrizia Alves Pinto e o compositor de trilhas sonoras Ant\u00f4nio Pinto.<\/p>\n<p><strong>Trajet\u00f3ria de d\u00e9cadas<\/strong><\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria como escritor, cartunista, cronista, dramaturgo e pintor, entre outros, come\u00e7ou ainda na d\u00e9cada de 1950. Em 1954, enquanto estudava Direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), come\u00e7ou a publicar tirinhas no antigo jornal Folha da Manh\u00e3, que mais tarde se tornou a Folha de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Foi em 1957, quando se formou na faculdade e passou a publicar trabalhos na revista O Cruzeiro, que ele se tornou mais conhecido. Criou a\u00a0<em>Turma do Perer\u00ea<\/em>\u00a0em 1958 e o sucesso foi tamanho que as tirinhas viraram gibi em outubro de 1960. A revista foi publicada at\u00e9 1964, ap\u00f3s o in\u00edcio do regime militar.<\/p>\n<div id=\"standard_12\" class=\"st-placement standard_12 inArticle\"><\/div>\n<p><strong>&#8216;A lua \u00e9 Flicts&#8217;<\/strong><\/p>\n<div id=\"standard_13\" class=\"st-placement standard_13 inArticle\"><\/div>\n<p>Ziraldo lan\u00e7ou\u00a0<em>Flicts<\/em>, seu primeiro livro infantil, em 1969. A obra, que fala sobre uma cor &#8216;diferente&#8217;, que n\u00e3o conseguia se encaixar no arco-\u00edris, bandeiras e nenhum outro lugar, conta uma hist\u00f3ria sobre aceita\u00e7\u00e3o e respeito.<\/p>\n<p>A embaixada brasileira nos EUA deu ao astronauta Neil Armstrong, que pousou na Lua no mesmo ano que o livro saiu, uma c\u00f3pia do livro. Ziraldo recebeu dele uma resposta emocionada: &#8220;a lua \u00e9 Flicts&#8221;.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em 1969, Ziraldo foi um dos fundadores do jornal O Pasquim, um dos mais importantes ve\u00edculos de resist\u00eancia \u00e0 ditadura militar. Por causa disso, foi preso um dia depois da promulga\u00e7\u00e3o do AI-5, que dava poderes quase irrestritos ao regime.<\/p>\n<p>Detido e torturado pelos militares, Ziraldo chegou a receber uma indeniza\u00e7\u00e3o do governo brasileiro em 2008, junto com outros jornalistas perseguidos pela ditadura.<\/p>\n<p><strong>Atra\u00e7\u00e3o nas Bienais<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo dos anos, ele se tornou um dos autores nacionais mais conhecidos. As filas de f\u00e3s que esperavam por um aut\u00f3grafo de Ziraldo nas Bienais de Literatura do Rio e de S\u00e3o Paulo se tornaram famosas e viraram at\u00e9 tema de document\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mesmo com idade avan\u00e7ada, ele fazia quest\u00e3o de passar de 4 a 5 horas conversando com seus f\u00e3s. Era a fila mais concorrida das bienais e isso rendia hist\u00f3rias emocionantes.<\/p>\n<p>&#8220;Eu estava na fila uma vez e uma mulher veio contar que, na Bienal anterior, estava gr\u00e1vida e o Ziraldo escreveu &#8216;bem-vinde&#8217; na dedicat\u00f3ria. Dois anos depois ela estava l\u00e1, na fila e com o filho no colo, pedindo para ele completar a dedicat\u00f3ria&#8221;, conta Deborah Quintal, especialista em literatura infantil. &#8220;Ele era um g\u00eanio indom\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morreu neste s\u00e1bado (06) o cartunista, escritor, jornalista, colunista e dramaturgo Ziraldo, aos 91 anos. A informa\u00e7\u00e3o foi confirmada pela fam\u00edlia, que n\u00e3o divulgou a causa da morte. 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