{"id":2299,"date":"2023-08-23T12:55:21","date_gmt":"2023-08-23T12:55:21","guid":{"rendered":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/?p=2299"},"modified":"2023-08-23T12:55:21","modified_gmt":"2023-08-23T12:55:21","slug":"acao-contra-delegados-da-policia-civil-que-usaram-delegacia-como-qg-do-crime-aguarda-parecer-do-mp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/2023\/08\/23\/acao-contra-delegados-da-policia-civil-que-usaram-delegacia-como-qg-do-crime-aguarda-parecer-do-mp\/","title":{"rendered":"A\u00e7\u00e3o contra delegados da Pol\u00edcia Civil que usaram delegacia como &#8216;QG do crime&#8217; aguarda parecer do MP"},"content":{"rendered":"<p>O esquema de tr\u00e1fico de drogas orquestrado pelos\u00a0<a href=\"https:\/\/midiamax.uol.com.br\/policia\/2023\/na-fronteira-com-a-bolivia-delegados-da-policia-civil-de-ms-atuavam-junto-com-narcotraficantes\/\">delegados da Pol\u00edcia Civil de Mato Grosso do Sul, Fernando Ara\u00fajo da Cruz e Rodrigo Blonkowski<\/a>, que contava at\u00e9 com pagamento de propina pelos pr\u00f3prios delegados a traficantes, denunciado pelo Gaeco (Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial e Combate ao Crime Organizado), espera por parecer do\u00a0<a class=\"st_tag internal_tag \" title=\"Not\u00edcias sobre MPMS\" href=\"https:\/\/midiamax.uol.com.br\/tag\/mpms\/\" rel=\"tag\">MPMS<\/a>\u00a0(Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual).<\/p>\n<p>O parecer do Minist\u00e9rio nada mais \u00e9 do que a manifesta\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o, na qual diz sua opini\u00e3o sobre o pedido do autor, com base no que a\u00a0<a class=\"st_tag internal_tag \" title=\"Not\u00edcias sobre lei\" href=\"https:\/\/midiamax.uol.com.br\/tag\/lei\/\" rel=\"tag\">lei<\/a>\u00a0disp\u00f5e sobre o assunto que est\u00e1 sendo analisado. O parecer do Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o obriga o juiz a proferir senten\u00e7a segundo a posi\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia 21 de agosto deste ano, foi dada vista ao MPMS sobre o caso envolvendo os delegados denunciados por esquema de tr\u00e1fico e drogas, sendo que agora o Minist\u00e9rio P\u00fablico por prazo regimental tem at\u00e9 15 dias para dar seu parecer.<\/p>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<p>A den\u00fancia apresentada em relat\u00f3rio do Gaeco foi feita \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/midiamax.uol.com.br\/tag\/justica\/\">Justi\u00e7a<\/a>\u00a0no dia 28 de mar\u00e7o deste ano, quando foi pedida a condena\u00e7\u00e3o e perda do cargo p\u00fablico dos delegados. A investiga\u00e7\u00e3o concluiu que os delegados pagavam propina para que carregamentos de coca\u00edna fossem identificados e depois roubados e revendidos pelo grupo comandado pelos policiais. Quem comprava a coca\u00edna roubada eram narcotraficantes que tinham &#8220;parceria&#8221; com os delegados.<\/p>\n<p>A den\u00fancia do Gaeco aponta dois grupos que eram liderados cada um por um delegado, sendo os dois grupos rivais.\u00a0<a href=\"https:\/\/midiamax.uol.com.br\/politica\/transparencia\/2023\/delegado-da-pcms-denunciado-por-trafico-acusa-promotores-do-gaeco-de-abuso-de-autoridade\/\">O primeiro grupo era formado pelo delegado Rodrigo Blonkowski<\/a>\u00a0e o segundo pelo delegado Fernando Ara\u00fajo. Os grupos atuavam em Lad\u00e1rio e Corumb\u00e1 e tinham conhecimento da atua\u00e7\u00e3o do concorrente, segundo a den\u00fancia do Gaeco.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2300\" src=\"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/reproducao-processo-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/reproducao-processo-300x169.jpg 300w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/reproducao-processo-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/reproducao-processo-768x432.jpg 768w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/reproducao-processo-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/reproducao-processo-750x422.jpg 750w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/reproducao-processo-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/mirandams.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/reproducao-processo.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Em conversas interceptadas pelo Gaeco, no dia 31 de janeiro de 2019, um dos membros do grupo de Rodrigo diz que o Fernando Ara\u00fajo \u2018arrochava\u2019 ao falar de uma apreens\u00e3o de uma motocicleta feita pelo delegado. Ainda na conversa, o membro do grupo fala que o \u2018cara\u2019 pagava o delegado.<\/p>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<p>J\u00e1 em outra conversa, o grupo de Rodrigo era acusado de subtrair drogas para obter lucros. \u201cFurtam a coca\u00edna que \u00e9 apreendida por eles\u2026. fazem uma mistura na droga que fica apreendida sendo o restante de boa qualidade o qual o grupo negocia com traficantes\u201d, dizia a mensagem interceptada.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio do Gaeco consta que os denunciados angariavam drogas de traficantes locais durante as dilig\u00eancias, mas a droga n\u00e3o era toda documentada, j\u00e1 que parte da droga furtada pelos delegados era renegociada com outros traficantes.<\/p>\n<h2 id=\"h-delegado-dava-bonificacao-a-narcotraficantes\" class=\"wp-block-heading\">Delegado dava bonifica\u00e7\u00e3o a narcotraficantes<\/h2>\n<p>A den\u00fancia do Gaeco ainda aponta que Rodrigo Blonkowski mantinha contato com um traficante, conhecido como \u2018Big\u00e3o\u2019, para fornecer informa\u00e7\u00f5es de outros traficantes e, para isso, o traficante recebia &#8216;bonifica\u00e7\u00f5es&#8217;. Um dos investigadores, que fazia parte do esquema, era o respons\u00e1vel por identificar os pontos de boca de fumo.<\/p>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<p>Quando os pontos de bocas de fumo eram localizados, os delegados faziam falsas dilig\u00eancias para a apreens\u00e3o do entorpecente que era subtra\u00eddo pelos delegados e revendido. No dia 11 de dezembro de 2018, um dos investigadores foi at\u00e9 a Bol\u00edvia para &#8216;arrumar um neg\u00f3cio\u2019.<\/p>\n<p>Os grupos liderados pelos delegados sempre tinham o cuidado de n\u00e3o fecharem \u2018neg\u00f3cios\u2019 por liga\u00e7\u00f5es e as conversas eram curtas, usando o WhatsApp e depois marcando encontros pessoalmente para que o \u2018neg\u00f3cio\u2019 fosse conclu\u00eddo. Assim, acreditavam evitar o rastreamento de suas liga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Foi identificado ainda pelo Gaeco que um traficante conhecido como \u2018Dudu\u2019 fornecia informa\u00e7\u00f5es para o delegado Rodrigo. Em conversa interceptada do dia 8 de mar\u00e7o de 2019, eles conversam sobre o carregamento de carga de coca\u00edna, no total de 50 quilos. \u2018Dudu\u2019 era respons\u00e1vel por monitorar o transporte de drogas nas rodovias de Mato Grosso do Sul e de\u00a0<a href=\"https:\/\/midiamax.uol.com.br\/municipios\/sao-paulo\/\">S\u00e3o Paulo<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser denunciado junto de Rodrigo Blonkowski por associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico, o delegado Fernando Ara\u00fajo da Cruz tamb\u00e9m foi denunciado por receber propinas da M\u00e1fia dos Cigarreiros. O delegado ainda foi acusado de \u2018arrochar\u2019 bolivianos que tentavam entrar com mercadorias do lado brasileiro cobrando para que fossem liberados.<\/p>\n<p>De um homem, o grupo do delegado Fernando chegou a cobrar R$ 20 mil para que ele n\u00e3o fosse preso e tivesse o combust\u00edvel clandestino liberado. Ainda de acordo com o Gaeco, Fernando Ara\u00fajo teria se apropriado, em uma das falsas dilig\u00eancias orquestradas pelo grupo de armas, de dinheiro e celulares de um dos alvos do delegado.<\/p>\n<p>A den\u00fancia da atua\u00e7\u00e3o criminosa dos delegados \u00e9 assinada por quatro promotores de\u00a0<a class=\"st_tag internal_tag \" title=\"Not\u00edcias sobre Justi\u00e7a\" href=\"https:\/\/midiamax.uol.com.br\/tag\/justica\/\" rel=\"tag\">Justi\u00e7a<\/a>\u00a0de Corumb\u00e1, tr\u00eas deles integrantes do Gaeco. A den\u00fancia tramita na 1\u00aa Vara Criminal de Corumb\u00e1.<\/p>\n<p>O<strong><em>\u00a0Jornal Midiamax<\/em><\/strong>\u00a0entrou em contato com a defesa do delegado Fernando Ara\u00fajo, atrav\u00e9s de mensagens por WhatsApp, mas at\u00e9 o fechamento da mat\u00e9ria n\u00e3o tivemos resposta. O espa\u00e7o segue aberto para futuras manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tentamos falar com a defesa de Emmanuel Contis, investigador de pol\u00edcia denunciado por fazer parte do grupo criminoso, por liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica, mas n\u00e3o tivemos resposta at\u00e9 o fechamento da mat\u00e9ria, assim como, n\u00e3o conseguimos contato com a defesa do delegado Rodrigo Blonkowski por telefone.<\/p>\n<p>A Adepol (Associa\u00e7\u00e3o dos Delegados de Pol\u00edcia de Mato Grosso do Sul), em nota, disse:\u00a0<em>\u201cA Adepol\/MS n\u00e3o teve acesso aos autos do processo em quest\u00e3o, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o exarou um parecer sobre a situa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pris\u00e3o de Rodrigo na Opera\u00e7\u00e3o Codicia<\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/midiamax.uol.com.br\/policia\/2022\/delegado-afastado-e-mais-10-se-tornam-reus-apos-operacao-contra-propina-na-policia-civil\/\">O delegado foi preso em flagrante, em julho de 2022<\/a>. Ele foi detido na segunda fase da Opera\u00e7\u00e3o Codicia, durante cumprimento de mandado de busca e apreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca da pris\u00e3o, policiais militares do Gaeco cumpriram mandado de busca e apreens\u00e3o na casa do delegado, onde foram encontradas 114 muni\u00e7\u00f5es de diferentes calibres, sem o devido registro. Assim, ele acabou preso em flagrante.<\/p>\n<p>O delegado foi autuado por possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acess\u00f3rio ou muni\u00e7\u00e3o, de uso permitido, em desacordo com determina\u00e7\u00e3o legal ou regulamentar.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fernando matou boliviano na ambul\u00e2ncia<\/h2>\n<p>Fernando inicialmente\u00a0<a href=\"https:\/\/midiamax.uol.com.br\/policia\/2022\/condenado-por-matar-boliviano-dentro-de-ambulancia-delegado-continua-recebendo-salarios-de-24-mil\/\">foi condenado a 20 anos de pris\u00e3o, em junho de 2021<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/midiamax.uol.com.br\/tag\/pena\/\">pena<\/a>\u00a0reduzida para 16 anos, ap\u00f3s a defesa interpor recurso. Tamb\u00e9m foi determinada a perda do cargo.<\/p>\n<p>O boliviano Alfredo foi esfaqueado durante discuss\u00e3o com Fernando em uma festa e depois socorrido, sendo levado de ambul\u00e2ncia para Corumb\u00e1. Ent\u00e3o, o delegado interceptou a ambul\u00e2ncia e o matou a tiros antes de chegar ao hospital.<\/p>\n<p>Mas Fernando, achando que n\u00e3o havia testemunhas do crime, foi pego de surpresa quando foi informado pelo investigador da Pol\u00edcia Civil, Emmanuel Contis, de que a irm\u00e3 da v\u00edtima estava na ambul\u00e2ncia e viu o assassinato.<\/p>\n<p>Em meio a toda a trama do homic\u00eddio, testemunhas foram coagidas, sendo uma delas o motorista da ambul\u00e2ncia, que teve como advogada a mulher de Fernando, Silvia.<\/p>\n<p>No entanto, o que o casal n\u00e3o esperava era que policiais bolivianos e at\u00e9 um promotor usassem de chantagem para extorquir os dois, com pedido de R$ 100 mil para que n\u00e3o implicassem o delegado ao assassinato.<\/p>\n<p>Na tentativa de encobrir os rastros do crime, at\u00e9 a execu\u00e7\u00e3o dos policiais e delegados que estavam investigando o caso foi arquitetada por Fernando, que recebia do investigador todas as informa\u00e7\u00f5es sobre as investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>FONTE: MIDIAMAX<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O esquema de tr\u00e1fico de drogas orquestrado pelos\u00a0delegados da Pol\u00edcia Civil de Mato Grosso do Sul, Fernando Ara\u00fajo da Cruz e Rodrigo Blonkowski, que contava at\u00e9 com pagamento de propina pelos pr\u00f3prios delegados a traficantes, denunciado pelo Gaeco (Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial e Combate ao Crime Organizado), espera por parecer do\u00a0MPMS\u00a0(Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual). 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