Em Rochedo, Mato Grosso do Sul, a rotina da vereadora Cléia Corrêa quebra todos os estereótipos da política tradicional. Enquanto muitos parlamentares se distanciam da base, Cléia começa o dia com balde, rodo e produtos de limpeza. À tarde, ela troca o uniforme pela roupa social para atuar na Câmara Municipal, fiscalizar o executivo e participar de reuniões decisivas.
Aos 48 anos, Cléia não vê conflito entre as duas funções. “Eu ganhei as eleições e continuo sendo a faxineira de Rochedo. E é a melhor, hein?”, brinca ela, reafirmando o sustento que mantém há mais de uma década.
Trajetória: Da Europa ao frigorífico
Apesar de vir de uma família política — seu pai, João Laerte Corrêa, foi vice-prefeito e presidente da Câmara — o caminho de Cléia foi trilhado pelo esforço próprio. Formada em Serviço Social e bilíngue, ela morou dez anos na Europa trabalhando como faxineira.
Ao retornar ao Brasil em 2013, Cléia chegou a atuar como intérprete em um frigorífico, mas quando o contrato acabou, não hesitou em voltar para a limpeza. “Foi de um cliente para outro e funcionou”, recorda.
Superando o preconceito nas urnas
A entrada na política veio após um convite que muitos olharam com desconfiança. “Quando me convidaram para ser candidata, ninguém botava fé. Mas, graças a Deus, eu me tornei vereadora”, afirma.
Mesmo com o mandato, ela mantém oito clientes fixos na cidade e na zona rural, além de atendimentos eventuais em Campo Grande. Para Cléia, abandonar a faxina nunca foi uma opção: ela se recusa a deixar de lado o trabalho que sempre garantiu sua independência.
Agenda dividida entre o rodo e a tribuna
A organização é a chave para o sucesso da parlamentar:
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Terças-feiras: Dedicadas exclusivamente à Câmara Municipal, visitas a escolas e atendimento à população.
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Demais dias: Rotina de faxinas no período da manhã e atividades legislativas à tarde.
“De manhã estou vestida de faxineira, à tarde estou de vereadora. Mas sempre atuando com seriedade e pronta para ajudar o próximo”, resume.
Inspiração e combate a relacionamentos abusivos
Para Cléia, sua história serve de combustível para outras mulheres buscarem autonomia. Ela utiliza sua visibilidade para incentivar a independência financeira como ferramenta de saída de ciclos de violência.
“Muitas mulheres não conseguem sair de uma relação tóxica por vergonha de trabalhar. A dica que eu dou é: não tenham vergonha de ganhar o dinheiro honestamente. Vamos lutar e criar nossos filhos com dignidade”, incentiva a vereadora, que é mãe e avó de dois netos.
Com orgulho de sua essência, ela finaliza: “Eu sou assistente social, sou bilíngue, sou vereadora, mas quando perguntam minha profissão, eu digo: faxineira. Tenho muito orgulho disso”.
Dica de imagem para o site: Seria interessante usar uma montagem de “antes e depois” (ou lado a lado) mostrando a Cléia em seu ambiente de trabalho doméstico e, em seguida, na tribuna da Câmara.
Fonte: Top Midia News


















